quinta-feira, 30 de maio de 2013

O FIM DO MUNDO

Nem calendário maia, nem fogo, nem bomba atômica, o fim do mundo está nas mãos do próprio homem.
A humanidade vai sucumbir ao seu desleixo, se sufocar no próprio lixo, fato que fica evidente a cada chuva mais forte, a cada inundação, a cada cidade alagada; cenas apocalípticas  recorrentes nos últimos tempos. Basta chover intensamente por apenas um quarto de hora e lá estão carros, pessoas, animais, móveis, e lixo, muito lixo, todos boiando na mesma sopa.
É conveniente para o ser humano culpar o progresso, o crescimento urbano, o desmatamento, o asfalto.  Mas o que  vemos comumente nos casos de alagamento? Esgotos obstruídos, bocas de lobo entupidas, meios-fios abarrotados de resíduos descartados pelo homem no meio da rua, na calçada, na sarjeta, no terreno baldio.  Sem falar no lixo não recolhido que se acumula e amontoa ao lado de paradas de ônibus, de praças, de ruas inteiras. É só dar uma circulada por zonas menos nobres da cidade para se escandalizar com o descaso dos governos, com a negligência administrativa, com a falta de investimentos em saneamento, em  educação, em preservação do meio-ambiente, tão rico e tão necessário, de onde retiramos tudo o que temos, tudo o que precisamos. Todo esse lixo espalhado no nosso entorno ultrapassa as raias do bom senso.
É de extrema urgência conscientizar a população sobre sua responsabilidade mas também é de urgência extrema que a administração pública faça sua parte, mantendo as coletas de forma adequada  em todos os bairros, vilas e ruas da cidade, pois cada morador paga, junto com o IPTU, a taxa de coleta de lixo, e não é barata. Cobrar declaradamente por serviços não prestados é legitimar a extorsão.
De nada adianta procurar culpados depois que as tragédias acontecem. É preciso investir em prevenção, em conscientização ambiental. E todos são responsáveis, povo e  governo, pois o mundo é de todos nós.
A questão do lixo parece uma coisa pequena, mas não é. E se continuar sendo tratada como de mera importância, estará o homem assinando de próprio punho a sua extinção neste planeta. Porque nós vamos sucumbir, mas o planeta vai continuar, vai se refazer, vai se recuperar, mesmo que leve milhões de anos, enquanto o homem, com sua arrogância e pretensão, vai virar uma partícula de pó, soterrada, extirpada, afogada no  individualismo, no egoísmo, na imprudência inconsequente, vítima da própria displicência ecológica.
Salvemos o lixo, antes que o lixo nos engula!

Campanhas publicitárias não são suficientes, precisamos de ação!

By Vera Janete Ortiz Ribeiro - março de 2013

domingo, 12 de maio de 2013

PALAVRAS PÁSSAROS

Palavras são pássaros
Precisam de liberdade
Infinito, imensidão
Doces ou perversas
Precisam transbordar
Bater asas, voar
Libertar a emoção
Palavras presas
São pássaros aprisionados
Contidos, amordaçados
Tristeza, inquietação
Palavras sufocadas
São pássaros de gargantas cortadas
Feridos, mutilados
Calados na escuridão
Soltar as palavras
Jogá-las ao vento
no fogo, na água ou no ar
É romper os grilhões da alma
É curar o coração.

(Vera Janete Ortiz Ribeiro
)