O FIM DO MUNDO
Nem calendário maia, nem fogo, nem bomba atômica, o fim do
mundo está nas mãos do próprio homem.
A humanidade vai sucumbir ao seu desleixo, se sufocar no
próprio lixo, fato que fica evidente a cada chuva mais forte, a cada inundação,
a cada cidade alagada; cenas apocalípticas recorrentes nos últimos tempos. Basta chover
intensamente por apenas um quarto de hora e lá estão carros, pessoas, animais,
móveis, e lixo, muito lixo, todos boiando na mesma sopa.
É conveniente para o ser humano culpar o progresso, o crescimento
urbano, o desmatamento, o asfalto. Mas o
que vemos comumente nos casos de
alagamento? Esgotos obstruídos, bocas de lobo entupidas, meios-fios abarrotados
de resíduos descartados pelo homem no meio da rua, na calçada, na sarjeta, no
terreno baldio. Sem falar no lixo não
recolhido que se acumula e amontoa ao lado de paradas de ônibus, de praças, de
ruas inteiras. É só dar uma circulada por zonas menos nobres da cidade para se
escandalizar com o descaso dos governos, com a negligência administrativa, com
a falta de investimentos em saneamento, em educação, em preservação do meio-ambiente, tão
rico e tão necessário, de onde retiramos tudo o que temos, tudo o que
precisamos. Todo esse lixo espalhado no nosso entorno ultrapassa as raias do
bom senso.
É de extrema urgência conscientizar a população sobre sua
responsabilidade mas também é de urgência extrema que a administração pública
faça sua parte, mantendo as coletas de forma adequada em todos os bairros, vilas e ruas da cidade,
pois cada morador paga, junto com o IPTU, a taxa de coleta de lixo, e não é
barata. Cobrar declaradamente por serviços não prestados é legitimar a
extorsão.
De nada adianta procurar culpados depois que as tragédias
acontecem. É preciso investir em prevenção, em conscientização ambiental. E
todos são responsáveis, povo e governo,
pois o mundo é de todos nós.
A questão do lixo parece uma coisa pequena, mas não é. E se
continuar sendo tratada como de mera importância, estará o homem assinando de
próprio punho a sua extinção neste planeta. Porque nós vamos sucumbir, mas o
planeta vai continuar, vai se refazer, vai se recuperar, mesmo que leve milhões
de anos, enquanto o homem, com sua arrogância e pretensão, vai virar uma
partícula de pó, soterrada, extirpada, afogada no individualismo, no egoísmo, na imprudência
inconsequente, vítima da própria displicência ecológica.
Salvemos o lixo, antes que o lixo nos engula!
Campanhas publicitárias não são suficientes, precisamos de
ação!
By Vera Janete Ortiz Ribeiro - março de 2013