Reflexões de Férias 2: ACAMPAMENTOS HUMANOS
Em minutos vão sendo montados verdadeiros acampamentos. Tudo gira em torno de uma barraca, ou guarda-sol, rodeado por cadeiras, esteiras, mesinhas, toalhas, cangas, isopor, bebidas, garrafas de água, garrafa térmica, cuia de chimarrão, protetor solar, livros, jornais, celular, câmera digital, chapéus, bolsas, sacolas, tudo isso contornado por pares de chinelos distraidamente espalhados. Se for uma família com crianças, acrescente-se carrinhos de bebê, mamadeiras, brinquedos, piscininha, baldinhos, pazinhas, carrinhos, fraldinhas, papinhas, suquinhos, bolachinhas, e muitos outros inhos e inhas, tantos quantos se dispuserem a carregar. Algumas famílias precisam de um carrinho especial para acomodar toda essa tralha e levar do carro até a areia. Uma mão-de-obra enorme! Tenho amigos que torcem para amanhecer chovendo e não precisar carregar essa mudança diária.
Como é difícil para o homem integrar-se com a natureza, desligar-se do mundo formal e sobreviver por poucas horas que seja sem as suas tralhas! Acho mesmo que homens e tralhas se completam e, afinal, isso realmente procede, pois somos todos feitos da mesma matéria, da mesma energia do universo. Mas isto também comprova que somos estrangeiros neste planeta, pois somos o único animal para quem a natureza não basta, temos que transformá-la, modificá-la, adaptá-la para o nosso harmônico convívio.
A horas tantas, desmonto meu próprio acampamento e retorno à casa, carregando nos braços o peso das minhas tralhas. Depois de alguns minutos, elas começam realmente a pesar. É nessa hora que olho para o céu procurando uma nuvem negra. Bem que podia chover amanhã.
By VERA JANETE ORTIZ RIBEIRO - fevereiro de 2013
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