sábado, 8 de fevereiro de 2014

                                                  RESIGNAÇÃO

Enclausurada em casa, com os dois pés quebrados, impossibilitada de fazer qualquer coisa, até mesmo de ir na cozinha assaltar a geladeira, e ainda por cima com um calor de 40 graus (aqui quero dar um salve, um não, três salves para o inventor do ar-condicionado), e o que é pior, justo nas minhas férias, com tantos planos pra realizar, tantas coisas esperando na fila pra serem postas em prática, descubro que a única coisa que posso fazer, é me resignar. Mas como é difícil se resignar! Acostumados que estamos a dirigir nossos próprios destinos, de repente, nos vermos diante de uma situação adversa e imutável, que não nasceu do nosso desejo, e que, contra nossa vontade, somos obrigados a nos submeter, faz balançar nossas estruturas. Neste momento começamos a procurar o culpado ou pensar no famoso e se. E se eu tivesse feito isto, e se eu não tivesse feito aquilo, poderia ter evitado esta situação. Ou não?
Sinto-me cativa dentro da minha própria casa, um status pior do que prisão domiciliar, posto que nesta o prisioneiro ainda tem o direito de ir e vir, de circular pelos cômodos, de olhar pela janela, de sentar-se à mesa. Parece que fui abduzida, estou vivendo em outra esfera, num mundo quase totalmente virtual, à espera de que ossinhos se calcifiquem, cicatrizem e me devolvam a minha vida.
Isto já me aconteceu outras vezes, e cada vez que me vejo nessa condição, de ter que sair de cena abruptamente, deixando tudo de lado, penso que esta é uma situação de quase morte. Sério. Assim deve ser a morte. A quantos ela pega de surpresa, no meio do caminho, no meio dos planos, no meio da vida, e os tira de cena antes da peça acabar. Não importa tudo que estava por fazer, todas as coisas importantes ou essenciais que não poderiam deixar de ser executadas, não importa quão vitais elas fossem, elas não vão ser realizadas. E não adianta objetar, replicar, questionar, argumentar, é assim que vai ser. E o mundo vai continuar, a vida vai continuar, e nós... nós temos que nos resignar.
Isto significa que ainda devo dar graças a Deus por estar apenas numa situação indesejada mas que é reversível, depende apenas de tempo e paciência? Significa que devo me resignar? Mas não gosto disso, não gosto de ficar parada, aceitando o inaceitável; não gosto de ser plateia da minha própria vida. Até posso me resignar, mas não tão passivamente. Resignar-me, sim, mas sob protesto! Pronto, falei!
28/01/13

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